MOUN ENTROU NO CHAT
- Versati Magazine

- 31 de jul. de 2020
- 2 min de leitura
O texto de hoje dispensa qualquer apresentação porque nós queremos que você sinta e conheça o personagem de uma forma quase poética.
Marney Costa é estilista. E a Moun, assim como ele, está dando as caras para o mundo.
Vamos te explicar o porquê.
Se engana quem acha que só pode fazer moda o profissional com formação em alguma universidade, ele vem para te provar que não. A moda evoluiu junto com ele: “Com 5 anos, enquanto as pessoas estavam desenhando carrinho, eu estava desenhando vestido de noiva. Com 7 anos, eu ia para uma loja de colchão que tinha próxima a minha casa e fazia vestidos para as minhas amigas, brincava de fazer desfiles".

Crescer ao lado de costureiras, suas tias, fez com que esse sonho em trabalhar com moda crescesse ainda mais ao longo dos anos, mas o histórico humilde e conservador da família, não permitiria, afinal “falar de moda era algo fora de cogitação. A moda para eles não era algo pro pobre. O rico faz a moda e o pobre veste o que tem”.
Foi na época do ensino médio, em que ele estudava para passar em algum curso da área da saúde, que a terapia ocupacional surge como uma oportunidade de humanização e mudança de vida. Natural de Conselheiro Lafaiete (MG), ele se muda para Chapecó (SC) e abre uma clínica para cuidar de crianças.
Foram 11 anos em que a moda ficou na gaveta, mas com o início da pandemia global do coronavírus, a Moun nasce pra ficar na prateleira com o grito de "CHEGA!".

A marca trabalha essencialmente com a alfaiataria desconstruída e buscou referências em gênios da moda mundial e nacional como Yves Saint Laurent, Raf Simons e os brasileiros, Rodrigo Evangelista, Victor Belchior e João Pimenta. Linhas retas, bases limpas, geometria e costuras bem feitas... Essa é a identidade da Moun.

Androginia e fluidez de gênero também representam criador e criatura. O mood é urbano, político e nem um pouco em cima do muro. “A fluidez entra nas minhas roupas não definindo o corpo como contorno das peças, e sim dando essa estrutura arquitetônica para as peças que acabam servindo tanto no corpo masculino como no feminino. Eu não me achava capaz de reunir todas essas referências e construir uma coleção coesa, que fizesse sentido e que me representasse, que fosse o Marney falando para as pessoas sobre a sua visão de moda".

E esse é o caminho que a Moun quer seguir.
Moun é uma palavra do criolo haitiano que significa “pessoa, indivíduo” e foi escolhida justamente para representar uma marca que veste pessoas. Não corpos. E nem gêneros. "Elas (as peças) acabam se tornando sexy porque eu acho sexy demais ser fluido, andrógino”.
Moda é arte, é necessidade. É preciso usá-la como forma de nos posicionarmos. Ainda mais em um momento político, social e econômico tão instável como o que estamos vivendo. Não dá mais para ficar em cima do muro. "Eu gostaria que a Moun atingisse esse papel na moda! A gente tem que abraçar a nossa realidade como indivíduo e abraçar o mundo".
E é como um agente transformador que a Moun quer ser vista. Agora você entende por que Marney é estilista?

Créditos
Fotos: Acervo Moun
Instagram Moun: @moun_off
Instagram Marney: @costamarney



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